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Escorrem-me letras da alma

Escorrem-me letras da alma Em catadupa chegam ao nariz como palavras numa manhã gelada de inverno. Quem me ouve pergunta-me: - Onde te interno? Quem não me pode ouvir faz-me sentir o nariz a entupir E eu preciso de respirar, caramba

10 tulipas

trabalhaste até de madrugada colapsei no sofá ensonada saímos para a noite já de madrugada apanhámos um taxi no Rossio para nos levar a um sítio deste uma cabeçada num cedro milenar e fomos para um bar fatela dançar uma traveca tinha acabado de atuar e senti os meus sapatos colados ao chão fomos para a rua eu pelo passeio e tu pela estrada deslocação irada com perigo de uma morte atropelada a tua mão caiu no meu ombro e a nuvem da ira foi dissipada. Comemos um misto oleoso Não entramos no Transmission com ar pesaroso Fomos para o mercado da ribeira eu comprei um pargo e tu, sem aviso, deste-me um ramo com 10 tulipas.