Este mês de Agosto o X arranjou 2 empregos para ajudar a pagar a casa e mobila-la, por isso desde 2ª feira que anda assim, como a Luísa da Calçada de Carriche do António Gedão, trabalha de dia e de noite, sobe a calçada vem jantar e vai trabalhar, chega a casa despe-se, adormece acorda e vai trabalhar. A ele dedico este poema! Luísa sobe, sobe a calçada, sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Saiu de casa de madrugada; regressa a casa é já noite fechada. Na mão grosseira, de pele queimada, leva a lancheira desengonçada. Anda Luísa, Luísa sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Luísa é nova, desenxovalhada, tem perna gorda, bem torneada. Ferve-lhe o sangue de afogueada; saltam-lhe os peitos na caminhada. Anda Luísa, Luísa sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Passam magalas, rapaziada, palpam-lhe as coxas, não dá por nada. Anda Luísa, Luísa sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Chegou a casa não disse nada. Pegou na filha, deu-lhe a mamada; b...