Na hora de pôr a mesa éramos quatro
Na hora de pôr a mesa éramos quatro: eu, tu, ele e a gata. Depois juntaram-se as tuas inseguranças. Depois juntaram-se as nossas discussões. Depois juntaram-se os meus medos. Na hora de pôr a mesa éramos demasiados: uma gata e uma grande confusão. Depois matei-me da vossa mesa e ficou a gata convosco, com a vossa culpa de sobrevivência e com o peso da minha ausência. Para mim depois não havia hora de jantar. Os dias seguiam-se pesados. A refeição era a toda a hora e o menu era sempre o mesmo: caos com batatas a murro regado com apatia; e à sobremesa: dor de chocolate. Um dia vi uma réstia de esperança. E sentei-me em cima dela. Deparei-me com um prato de vontade de viver mesmo à frente, em cima duma pedacinho de amor-próprio e fiz um banquete. Hoje na hora de pôr a mesa não sei quantos somos. Mas sou feliz. Na hora de por a mesa não sei quantos somos. Mas sei quem sou e o que valho. (uma coisinha inspirada na poesia do JLP e que encontrei no fundo do baú)