Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Retro X

Na hora de pôr a mesa éramos quatro

Na hora de pôr a mesa éramos quatro: eu, tu, ele e a gata. Depois juntaram-se as tuas inseguranças. Depois juntaram-se as nossas discussões. Depois juntaram-se os meus medos. Na hora de pôr a mesa éramos demasiados: uma gata e uma grande confusão. Depois matei-me da vossa mesa e ficou a gata convosco, com a vossa culpa de sobrevivência e com o peso da minha ausência. Para mim depois não havia hora de jantar. Os dias seguiam-se pesados. A refeição era a toda a hora e o menu era sempre o mesmo: caos com batatas a murro regado com apatia; e à sobremesa: dor de chocolate. Um dia vi uma réstia de esperança. E sentei-me em cima dela. Deparei-me com um prato de vontade de viver mesmo à frente, em cima duma pedacinho de amor-próprio e fiz um banquete. Hoje na hora de pôr a mesa não sei quantos somos. Mas sou feliz. Na hora de por a mesa não sei quantos somos. Mas sei quem sou e o que valho. (uma coisinha inspirada na poesia do JLP e que encontrei no fundo do baú)

A sabedoria do Dalai X

Desta feita, encontrei no meu "baú tecnológico" a dedicatória que escrevi nas fitas de alguns colegas de curso: " A Vida tem começo, meio e fim. É concreta e definida. É um intervalo de tempo em que vivemos experiências, umas boas e outras menos boas e que recordamos para sempre ou esquecemos. Mas é sempre, sempre valida e quando acaba deixa um grande vazio. Tu fazes parte da minha, Obrigado por tudo o que partilhaste comigo. Felicida des, X" Se és um dos felizardos que tem esta fita leva-a a uma loja Forten e diz a frase "O X é o Máior!" e habilita-te a ganhar uma tostadeira igualzinha ao Magalhães. Ou então não vás. Até porque está muito frio lá fora e podes-te constipar. Tu é que sabes... Depois se apanhares uma pneumonia e não ganhares nada não venhas cá reclamar. Tás avisado!

Pseudo-transalcoólico Vs Puta da Sina

Esfreguei durante tempo indeterminado mas a nódoa vermelha não deixou a lã castanha antes da sua suavidade. Ia ter mais cuidado com a bebida, não voltaria a beber da garrafa, blá, blá... Fui interrompido por um ponteiro húmido e fofo roçando insistentemente junto aos meus calcanhares nús. Não era neve ou gente mas sim, o Joy B. Era o meu segundo gato, o Joia tinha ficado ‘acidentalmente’ esquecido na dispensa durante um mês. Deve ter sido uma morte muito sofrida, mas a inanição ficava-lhe bem. Do cheiro é melhor nem falar... Olhei o monte de pelos negros e disformes com indiferença. Estava farto da nódoa, da camisola, do gato e do Espírito Santo. Levei novamente o copo de plástico aos lábios secos e fluorescentes. O plástico é meu amigo. Fiz imediatamente uma lista mental de novos adereços plásticos a adquirir. Uma camisola, um gato uma sanita, uma pessoa... O plástico é o futuro das relações: deitar fora depois de usar. Serei de plástico? Pousei o copo enquanto saía de casa para um sí...

Anos 80 - Verão Azul

Ao falar com um amigo meu começamos a recordar algumas das musicas e séries que davam na nossa juventude. Uma das músicas que ficará no meu ouvido para sempre será a da série espanhola Verão Azul, que se passa na Andaluzia.

Retro X – Repórter Subversivo #02

Imagem
O caso dos acetatos inflamáveis Todos nós sabemos que várias horas de aulas são desperdiçadas. Ou são alunos que chegam tarde, ou porque precisamos de ir à casa de banho, ou estamos muito barulhentos, enfim, um infinidade de coisas. Mas nem sempre a culpa é dos alunos! Por vezes os próprios professores desperdiçam muito tempo de aulas e quando são mais necessárias. Talvez porque não esquematizam a matéria, ou então porque não acompanham os "vertiginosos" avanços da tecnologia. Há alguns anos perdiam-se horas a passar esquemas e toneladas de matéria do quadro, mas com a aparição da maquina fotocopiadora as coisas mudaram. Os esquemas e a matéria que tinham de ser passados do quadro podem agora ser fotocopiados, poupando assim muito do nosso tempo. Alguns professores ingenuamente pensam que certas folhas não são próprias para serem fotocopiadas. Talvez confundam a máquina fotocopiadora com um incinerador. Assim alguns alunos foram e continuam a ser obrigados a passar (à veloci...

Retro X – Repórter Subversivo #01

Imagem
Este é o primeiro de dois textos que foram publicados num jornal escolar durante os meus tempos de secundário. Um grupo de rapazes da minha turma juntou-se e formou o MOX (cujo significado era apenas conhecido por nós mas que revelo aqui: Marados, Otários e Xungas). Partiu de uma ideia nossa sem apoios iniciais da escola. Acabou por se tornar popular e no final a escola acabou por englobá-lo nos seus projectos e até nos foi dispensada uma sala. (Pre)Conceitos A vida é uma escada que temos que subir. Devemos começar com pequenos passos, devagar. É uma subida exaustiva e por vezes encontramos degraus escorregadios, outros podem ser de difícil acesso. Às vezes há uma multidão que nos barra um degrau e não nos deixa chegar ao topo da escada. Talvez porque tenhamos dado passos muito grandes, maiores do que a perna, os passos errados. Mas não façamos batota e não desistamos, porque também há bons degraus, agradáveis de subir, que compensam os outros, os piores degraus. Devido a "pequeno...

Retro X-tales

Sexta-feira, 13 de Novembro. Era uma manhã cinzenta e chuvosa, os carros circulavam devagar pelas estradas molhadas de Leiria. Eu corria evitando as poças de água, enquanto calculava mentalmente o grau de inclinação da chuva e a velocidade que deveria ter para me molhar menos, até que cheguei à ESEL. Entrei e subi à sala 116, encharcado até aos ossos e bati. O Professor fez-me sinal para entrar enquanto recitava: Será chuva? Será gente? Chuva não é certamente, Parece-me um aluno Com um ar doente! Como não estava nos meus melhores dias, esbocei um sorriso amarelo e fui-me sentar sorrateiro, apesar de ter trinta pares de olhos fixados em mim. Mas o meu Professor de Língua Portuguesa não parecia disposto a perdoar o meu pequeno atraso (cerca de 40 minutos) e dirigindo-se a mim perguntou: - O que é a fonética? O nome não me era estranho, olhando em volta reparei que a palavra fonética estava escrita no quadro em letras garrafais e então arrisquei: - A parte da matéria que perdi...