Fim de festa!!

Já passaram 10 dias desde o último post que escrevemos, mas isso tem uma única razão: estávamos também a festejar o ínicio de uma nova era com a inauguração da Casa da Música, que como devem saber, terminou ontem.

Resta conhecer, para quem ainda não experimentou os sons da casa, quais foram as reações gerais. Aqui ficam os depoimentos, através de uma reportageM do JN. (Já é a segunda vez que falamos neste órgão de comunicação social...Pode ser que se torne nosso patrocínio vitalício, ;)

Nove dias e dezenas de espectáculos depois, a Casa da Música terminou ontem, oficialmente, a programação inaugural. Depois disto, "o Porto não será o mesmo - a cidade sofrerá consequências idênticas ao efeito do Guggenheim em Bilbao". O registo impressionante de bilhetes esgotados, a variedade de línguas que se ouviram nos 'foyeurs' e as centenas de curiosos que, já sem oportunidade de assistir aos concertos, espreitavam cada canto do edifício parecem precipitar a previsão de António Tena, advogado da Office for Metropolitan Architecture (OMA) em Espanha.
Oriundo da cidade que viu transformada com o investimento arquitectónico e cultural, Tena prepara-se para acompanhar a primeira obra da OMA no seu país. Também assinada por Rem Koolhaas. Antonio Tena recorda que, "há 45 anos, Bilbao não conhecia índices significativos de turismo e que, depois da abertura do Guggenheim, o fluxo disparou e, consequentemente, a cidade teve que acompanhar, desenvolvendo-se". Entre os amigos de Koolhaas que, anteontem à noite, se reuniam na Sala 2 ao som do 'set' dos Madrid de los Austrias, também se encontrava Rafael Perez de Siles. O director da futura obra do arquitecto holandês em Cordoba, adiantou, ao JN, que o edifício de Koolhaas "será um investimento inédito na cidade, um ambicioso centro de congressos que, entre outros elementos, contará com um centro comercial e um hotel".Porto mais perto da Europa.

A ideia de projecção turística da cidade do Porto não era exclusiva dos espanhóis. Catarina Félix veio especialmente de Coimbra para conhecer a Casa da Música e acredita que "o espaço passou a ser ponto de paragem obrigatória no país, senão o único". A designer acrescenta que "era algo essencial para o Porto, já que todos os espectáculos ou, simplesmente, não passavam por aqui ou esgotavam numa só noite" e considera que "esta arquitectura, sendo algo de inédito em Portugal, aproxima o país da Europa".
No mesmo sentido manifesta-se António Pires, de 42 anos "Não tenho dúvidas que a Casa da Música vai ter muito público e do melhor". Evocando, também, o efeito Guggenheim, o empresário de restauração, residente em Valongo, crê que "virá gente de todas as capitais europeias".
"Em Lisboa não há nada assim a Casa da Música passa a ser o número um!". Pedro Machado, engenheiro do ambiente veio da capital e, apesar de considerar que o "novo espaço e a Fundação de Serralves são a combinação justa para transformar o Porto num forte atractivo de turismo cultural", reserva algumas dúvidas quanto à capacidade da instituição para manter números elevados de público. Excesso de zelo é natural.

Por sua vez, Pedro Alvarez, médico lisboeta de 34 anos também de passagem pelo Porto, observou "ainda alguma falta de maturidade por parte da direcção da Casa", reflectindo-se, sobretudo, em questões de organização. "Telefonámos de Lisboa para saber se havia bilhetes para Paco Peña e foi-nos dito que o concerto estava esgotado, mas, mesmo assim, aconselharam-nos a vir caso houvesse desistências". O problema é que às 18 horas em ponto fecharam-se as portas da Sala 2 "e não voltaram a abri-las para ocupar os lugares vazios, tal como fazem na Gulbenkian".
Não obstante a desilusão, Pedro Machado considera que "o excesso de zelo é natural". Opinião partilhada por António Pires, para quem "o cuidado extremo e o nervosismo demonstrados pela segurança do edifício são compreensíveis nesta fase inicial".
Críticas à parte, todos concordam que "a Casa da Música vai exercer um grande impulso cultural para a cidade e para o país" e verificaram, ao entrar no edifício, que "o orçamento justifica-se". Confessando-se "deslumbradíssima com a aridez do betão a destacar todas as texturas e cores, exactamente, previstas", a designer Catarina Félix diz estar "feliz por, finalmente, Portugal ter algo desta dimensão".
No que se refere à polémica do custo e ao tempo de construção da obra, António Pires considera que "não houve atrasos, mas falsos prazos políticos" e que "isto merece muito mais investimento do que qualquer estádio de futebol".
Estas são apenas algumas das vozes que se ouviram, ontem, nos corredores de betão da Casa da Música. Entretanto, centenas de outras conversas em dezenas de idiomas ampliavam-se numa espécie de murmúrio colectivo e, sem querer, faziam música.

"Depois da Casa da Música, o Porto não será o mesmo."

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