CO-MYX-TÓRIA: Begins - A Âncora

Fui o "fatso" impopular e politícamente incorrecto da secundária que todas as "cheerleader-kinda-gals" adoravam estraçalhar. Como tal nunca esperei na Universidade tornar-me melhor amigo de uma das "miss perfections" que tanto tinha enfernizado a minha vida há tão pouco tempo. Mas aconteceu. Parece pouco provável pensar que o patinho feio da turma e a princesa tenham tanto em comum: nem pertecem ao mesmo conto! Mas têm. Eu dava o melhor de mim porque precisava de aceitação. Ela dava o melhor de si para viver ao nível das expectativas que tinham dela. Entre outras coisas ensinou-me a gostar mais de mim, a usar as gargalhadas para exercitar os abdominais e a pôr duas "chiclas" de cada vez na boca porque assim tinha o dobro do prazer. Mas vamos à história...
Eram quase três da manhã (sim, nós trabalhavámos até essas horas senão ou até mais tão tarde) quando lhe decidi contar. Eramos quatro pessoas no nosso grupo de trabalho e estavámos no terceiro ano e juntos desde o primeiro. A proximidade que tinhamos e os laços que nos uniam levaram-me a confiar-lhe o que nunca tinha conseguido partilhar com ninguém... As palavras que nunca ninguém me tinha ouvido dizer mas que me assolava desde a minha adolescência.
Aproveitei um momento em que estávamos sozinhos para lhe dizer. Não disse directamente... Comecei a contar-lhe de forma a que fosse ela a chegar à palavra, ao conceito que eu queria transmitir. Ela chegou lá, a essa palavra, a esse conceito. E durante um mês continuou a ser a amiga e confidente de sempre. Eu sentia-me mais próximo dela que nunca. Agora não havia segredos. Aquilo que eu escondera no fundo de mim, era agora uma realidade, dia a mim próprio pouco tempo antes e depois de dito a esta amiga tornou-se uma realidade. O que passado pouco tempo, cerca de um mês, se tornou a nossa realidade, foi a nossa amizade por força de um afastamento provocado por esta amiga... Um corte radical que me expeliu do grupo de trabalho e da vida da "miss perfection" para sempre...
A "coisa boa" das âncoras é que quando andamos à deriva são optimas para nós prenderem a um porto de abrigo. Mas também nos prendem ao fundo e se a maré sobe estar preso ao fundo não é uma coisa muito boa...

Next: Coming-out...
Este post faz parte do baú deprimente do Comyxtura, (sim, também temos um, e como o afirmamos já não é plágio) e estava em draft desde 10/09/2005. Cuidado como pó!

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