Letter to Miss Hell
I just saw you in a dream... after all these years.
Estavas numa longa fila amparada por uma também ex-amiga.
All dressed in black with a messy hair and a pale face.
Vi-te de repente quase depois de já ter passado por ti.
Nesse instante ia dizer-te adeus mas lembrei-me logo que não podia.
You were dead. You died some years ago. You killed youlself.
Foi uma morte horrível e dolorosa. Morreste afogada em egoísmo.
Ias a andar, só querias seguir o teu caminho, e perdeste a perspectiva das coisas.
Tropeçaste, a cabeça foi com tanta força para a frente que o nariz ficou preso no teu umbigo. Apesar de não teres banhas a tua cara estava tão próxima da barriga e tão enterrada na tua pele que deixaste de conseguir respirar.
Eu olhava para tudo incrédulo. Eras tão especial. Tão inteligente, tão divertida... tão QUERIDA.
You had a tendency to forget all that was around. But with all the glow that you irradiated you were excused.
Lutei durante umas semanas. Puxava-te a cabeça para trás, para ver se ainda respiravas, mas não. Já não havia nada a fazer por ti. Já te tinhas ido, sem talvez nunca teres estado.
The despair was crushing me like exteme gravity. It was so bad I thought I was in an alien planet 100.000.000 bigger than Earth.

Triste com a tua falta de consideração por me teres deixado fiz a única coisa que podia. Juntei todas as coisas boas que tinhamos vivido numa caixa dentro da minha cabeça. Não podia viver se me agarrasse às recordações. Não conseguia. Percebi isso depois de duas semanas a chorar.
Eu já tinha perdido amigos. Nell e eu partilhámos toda uma infância e sim chorei quando ele foi embora para os States. Mas isso foi natural. Tinha que ser. Era inevitável. Agora uma morte por asfixia porque o nosso nariz está preso ao umbigo... Helllooooo! É tão evitável. E foi isso que me custou acima de tudo, a evitabilidade das coisas. (What's the point?!?!?) Mas divago...
Depois de duas semanas a chorar já tinha tido tempo de meter tudo na caixa. Era verde, do verde que eu gosto, forte, vivo daquele verde que cheira a natureza e entra para os nossos pulmões e nos faz sentir bem. Desse verde. E tinha gatinhos. Gatinhos sorridentes porque são tontos. Se calhar também imaginam alguém que não és e sorriem por isso.
Alguém que não queres ser porque não acreditas em ti. Tanto tempo e nunca vi essa pessoa pálida, sem caracter, no escuro. (Tu via-la mas eu não. Só agora percebo o peso que carregavas) Só via a querida que brilhava e sorria como os tolos dos gatos quando comiamos franguinho com picante. Agora não vejo mais nada. Vejo as tuas inseguranças. Os teus medos. Percebo porque não gostas de ti e tens razão. Odeia-te com todas as tuas forças. Mereces o teu ódio. Mas também mereces ser feliz. Move on!!!
Eu era uma criança tola e tu um pai natal anti-consumo. A personificação de todas as certezas de todo o amor e carinho e apoio. Mas, oh!, o teu umbigo é tão importante quando comparado com a fé quase mortalmente inabalável de alguém em ti e no que representas. Mas divago.

Estava tudo na caixa rídicula dos gatos parvos que perdem tempo a comer carapaus e a brincar com novelos e que têm uma fixação tola por chapéus. São gatos-Elton-John-mas-sem-barbies-e-com-carapaus.
Todos os domingos tranquilos. Todos os olhares durante os jantares (e foram tantos). Toda a aprovação, todo o carinho, toda a partilha (como partilhámos!). Tudo, tudo de bom e tudo de mau. Está na caixa da minha cabeça. É tão real que a digitalizei e deixei aqui.

Olho para ela agora e despeço-me. Vou agora às 6 e picos da manhã lá fora levá-la ao lixo tal é a urgência em livrar-me deste peso morto, inútil. Porque por ti não carrego mais nada. Nem alegrias nem tristezas nem amor nem desamor, nem mágoas, nem recordações. Estou limpo. A sujidade absorveste-a tu. Espero sinceramente que a percas e que sejas tão feliz como sei que vou ser e que reconstruas tudo o que perdeste, tudo o que foi na caixa. Mas sei que ninguém te verá como te vi nem viverá contigo com a idade que tinhas, nem te abraçara ou beijará como eu. Sei a força com que posso amar. É quase a mesma com que uma mãe ama um filho (deve ser porque não imagino nada maior). A fé... A fé que eu tenho em quem amo tu sabes como é... do tamanho da entrega, da generosidade, do carinho, da alegria, do sentido de humor. (Pronto, confesso, o sentido de humor é um bocadinho mais pequeno que o resto!). E os laços todos que construo tu conhece-los bem. Esqueceste-os como se fosses uma Dori. Mas quando bateres com a cabeça eles voltam que eu sei. Mas eu sou implacável.

Todos esses momentos, todos esses anos, (vida!), todo esse amor foi-se embora numa caixa banalíssima que custou 1,99€ num hipermercado perto de Si... Já não me lembro como eras mas eras boa. A sério que não. Só sei que eras, que foste, que partiste que não és especial. Nem perco mais tempo contigo. Este instante foi o último. Vou deitar a caixa fora.
Agora estás na fila, precisas que alguém te ampare, pálida com cabelo baço e sem volume à espera que a linha avance à espera do amanhã que não queres ver que é vazio. Que é vão, que é não especial. É confiável como a passagem dos dias mas só isso...
Buh-bye!
All dressed in black with a messy hair and a pale face.
Vi-te de repente quase depois de já ter passado por ti.
Nesse instante ia dizer-te adeus mas lembrei-me logo que não podia.
You were dead. You died some years ago. You killed youlself.
Foi uma morte horrível e dolorosa. Morreste afogada em egoísmo.
Ias a andar, só querias seguir o teu caminho, e perdeste a perspectiva das coisas.
Tropeçaste, a cabeça foi com tanta força para a frente que o nariz ficou preso no teu umbigo. Apesar de não teres banhas a tua cara estava tão próxima da barriga e tão enterrada na tua pele que deixaste de conseguir respirar.
Eu olhava para tudo incrédulo. Eras tão especial. Tão inteligente, tão divertida... tão QUERIDA.
You had a tendency to forget all that was around. But with all the glow that you irradiated you were excused.
Lutei durante umas semanas. Puxava-te a cabeça para trás, para ver se ainda respiravas, mas não. Já não havia nada a fazer por ti. Já te tinhas ido, sem talvez nunca teres estado.
The despair was crushing me like exteme gravity. It was so bad I thought I was in an alien planet 100.000.000 bigger than Earth.

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Triste com a tua falta de consideração por me teres deixado fiz a única coisa que podia. Juntei todas as coisas boas que tinhamos vivido numa caixa dentro da minha cabeça. Não podia viver se me agarrasse às recordações. Não conseguia. Percebi isso depois de duas semanas a chorar.
Eu já tinha perdido amigos. Nell e eu partilhámos toda uma infância e sim chorei quando ele foi embora para os States. Mas isso foi natural. Tinha que ser. Era inevitável. Agora uma morte por asfixia porque o nosso nariz está preso ao umbigo... Helllooooo! É tão evitável. E foi isso que me custou acima de tudo, a evitabilidade das coisas. (What's the point?!?!?) Mas divago...
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Depois de duas semanas a chorar já tinha tido tempo de meter tudo na caixa. Era verde, do verde que eu gosto, forte, vivo daquele verde que cheira a natureza e entra para os nossos pulmões e nos faz sentir bem. Desse verde. E tinha gatinhos. Gatinhos sorridentes porque são tontos. Se calhar também imaginam alguém que não és e sorriem por isso.
Alguém que não queres ser porque não acreditas em ti. Tanto tempo e nunca vi essa pessoa pálida, sem caracter, no escuro. (Tu via-la mas eu não. Só agora percebo o peso que carregavas) Só via a querida que brilhava e sorria como os tolos dos gatos quando comiamos franguinho com picante. Agora não vejo mais nada. Vejo as tuas inseguranças. Os teus medos. Percebo porque não gostas de ti e tens razão. Odeia-te com todas as tuas forças. Mereces o teu ódio. Mas também mereces ser feliz. Move on!!!
Eu era uma criança tola e tu um pai natal anti-consumo. A personificação de todas as certezas de todo o amor e carinho e apoio. Mas, oh!, o teu umbigo é tão importante quando comparado com a fé quase mortalmente inabalável de alguém em ti e no que representas. Mas divago.

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Estava tudo na caixa rídicula dos gatos parvos que perdem tempo a comer carapaus e a brincar com novelos e que têm uma fixação tola por chapéus. São gatos-Elton-John-mas-sem-barbies-e-com-carapaus.
Todos os domingos tranquilos. Todos os olhares durante os jantares (e foram tantos). Toda a aprovação, todo o carinho, toda a partilha (como partilhámos!). Tudo, tudo de bom e tudo de mau. Está na caixa da minha cabeça. É tão real que a digitalizei e deixei aqui.

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Olho para ela agora e despeço-me. Vou agora às 6 e picos da manhã lá fora levá-la ao lixo tal é a urgência em livrar-me deste peso morto, inútil. Porque por ti não carrego mais nada. Nem alegrias nem tristezas nem amor nem desamor, nem mágoas, nem recordações. Estou limpo. A sujidade absorveste-a tu. Espero sinceramente que a percas e que sejas tão feliz como sei que vou ser e que reconstruas tudo o que perdeste, tudo o que foi na caixa. Mas sei que ninguém te verá como te vi nem viverá contigo com a idade que tinhas, nem te abraçara ou beijará como eu. Sei a força com que posso amar. É quase a mesma com que uma mãe ama um filho (deve ser porque não imagino nada maior). A fé... A fé que eu tenho em quem amo tu sabes como é... do tamanho da entrega, da generosidade, do carinho, da alegria, do sentido de humor. (Pronto, confesso, o sentido de humor é um bocadinho mais pequeno que o resto!). E os laços todos que construo tu conhece-los bem. Esqueceste-os como se fosses uma Dori. Mas quando bateres com a cabeça eles voltam que eu sei. Mas eu sou implacável.

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Todos esses momentos, todos esses anos, (vida!), todo esse amor foi-se embora numa caixa banalíssima que custou 1,99€ num hipermercado perto de Si... Já não me lembro como eras mas eras boa. A sério que não. Só sei que eras, que foste, que partiste que não és especial. Nem perco mais tempo contigo. Este instante foi o último. Vou deitar a caixa fora.
Agora estás na fila, precisas que alguém te ampare, pálida com cabelo baço e sem volume à espera que a linha avance à espera do amanhã que não queres ver que é vazio. Que é vão, que é não especial. É confiável como a passagem dos dias mas só isso...
Buh-bye!
Comentários
li e reli o teu texto, para tentar compreendê-lo.
É difícil, senão impossível fazêlo, na sua totalidade, pois é muito pessoal, só tu o compreenderás completamente.
Claro que o interpreto à minha maneira...
De qualquer forma, e objectivamente é um texto muito bom, muito forte; a apresentação das imagens adequa-se perfeitamente, no sentido que eu lhe dei.
Gostei muito.