COMYXTURA 7úbal: The End

Ainda agora cá cheguei e já estou a preparar a minha saída. Daqui a menos de um mês sairei da quarta maior cidade do país. Agora que embalo as minhas coisas sinto uma certa nostalgia. Setúbal cativou-me pela simpatia, pela beleza, pela simplicidade. Quando vim para cá, em Março, estava um frangalho. Tinha acabado de aprender uma dura lição.
Nem tudo dura para sempre. Aqueles laços que pensamos serem indestrutíveis, aquelas pessoas que pensamos serem pilares nas nossas vidas às vezes não o são. No fim, só podemos contar connosco. Estamos sós e tudo o resto é uma ilusão tola. Digo isto sem mágoa, apenas constatando um facto.
Por isso enquanto cá estive percebi que tinha que gostar de mim primeiro, de me aceitar com as minhas fraquezas, inseguranças e angústias. E consegui. Talvez tenha feito um pouco de batota, porque não o fiz sozinho. Porque, também percebi, afinal, que nunca estamos sós. Que onde há bondade, onde há amor, onde há carinho há também um lugar seguro que cativa quem não tem e aprecia o calor de outra pessoa.
Hoje sei que apesar de todos os meus medos sou forte. Mesmo que me sinta em baixo nunca deixarei de ser eu, sei que me tenho e se antes isso me assustava, hoje agrada-me. Sou lutador, sou forte, sei o que quero, gosto do meu ritmo, lento mas firme, da minha alegria, do meu sentido de humor, da minha capacidade de entrega, dos meus princípios que nunca abandonarei apesar de tudo o resto. Da minha capacidade de ver a beleza, mesmo no meio do caos. A minha casa é o lugar onde eu estou.
Obrigado Setúbal!
Comentários
Tenho muita pena que a deixes, mas pelo menos tive o prazer de te mostrar alguns sítios agradáveis.
Volta sempre.