A Minha Vida Em Gatos #01

São seis da manhã. Os miados dos Y's acordaram-me e não consigo voltar a cair no sono. Acordei por causa deles, dos gatos. A verdade é que sempre estiveram presentes na minha vida. Nos bons e nos maus momentos. Foram motivo de grandes alegrias e pautaram grandes tristezas. As histórias de alguns acabaram de forma abrupta, a de outros, felizmente, ainda mal começou. Bem vindos a "A Minha Vida em Gatos", AMVEG, para abreviar, a nova etiqueta do MYX.

Capítulo I - A Preta Rebelde

Para dizer a verdade não me lembro do nome dela. Só sei que era preta e rebelde. Foi a primeira gata que os meus pais tiveram. A primeira da história deles e da minha. Eu era ainda muito pequeno. O meu irmão não tinha nascido. O meu pai tinha-a ido buscar não sei onde e ela tinha uma irmã. Já não era bebé e não estava muito habituada a pessoas. Eu sei que nem me aproximava. Fugia, bufava e eu nem me aproximava dela. Lembro-me dos arranhões nos braços do meu pai. Mas foi ficando. Umas vezes escondia-se no soalho do velho sotão, com que, numa versão "minimalistamente clean", sonho tantas vezes, e onde ela entrava por artes mágicas. Outras desaparecia. Teve alguns filhos: um casal: um rapaz castanho com a pontinha do rabo branco e uma rapariga preta de pêlo lustroso de uma vez. Eram ariscos c'mo raio e já não sei o que foi feito deles. Um só único filho tigrado e gordo que nasceu sem rabo e que me lembro de deixar num sotão de palha na casa do Gil. Ainda o vi mais uma ou outra vez. Era lindo. Ficava um bocado triste por não poder ficar com aquelas crianças da Preta Rebelde, mas, de acordo com a minha mãe, não podia ser. E contra esse facto eu ficava sem argumentos. A verdade é que a Preta nunca teve muito da minha simpatia. Era fria e distante e eu nunca me pude aproximar dela. Já do gato que se seguiu, o Pirilau, filho da Zuca, não posso dizer o mesmo.

pretarebelde

Comentários

João Roque disse…
Vou-me deliciar com AMVEG; para já gostei do primeiro capítulo. embora não pareça nada simpática a "Preta rebelde"...
Quanto a acordares com os gatos, eu já estou habituado; quando querem comer fazem de tudo um pouco para me acordarem, desde asneiras a passarem por cima da minha cabeça na cama...
Abraços.
Frankenstaquio disse…
O segundo capítulo já está escrito e deve sair lá para sexta-feira. Entretanto as coisas vão acalmar profissionalmente e vou ter mais tempos para escrever mais capítulos e fazer mais comentários aqui e além. Tenho saudades das minhas rotinas! Abraços
Violeta disse…
Adoro gatos. Vivi no cmapo sempre rodeada de bichanos; umas vezes com nome outras nem sempre. uns deixava-se apanhar outros assanhavam-se assim que o bando de crianças se aproximava...
Gostei de vir aqui.
Catatau disse…
Adorei a história da Preta Rebelde e fico ansiosamente à espera do Pirilau. :)
Tongzhi disse…
Eu adoro estas histórias dos animais de estimação. A causa é que tive muito poucos. Um papagaio que tomava conta da minha irmã mais nova e a defendia da mais velha e um cão que teve um fim triste quando me foi esperar à porta da escola...
Graduated Fool disse…
Este e, certamente, os próximos textos sobre a gataria deixa-me meio tristonho... é que já passaram tantos gatos pela minha vida... e quase todos com finais tão tristes que já me causaram tanta dor. Alguns deles, ainda hoje, passados anos e anos, só de pensar me causam aquele apertozinho dorido no peito, aquele nozinho na garganta.
João disse…
Parece-me uma boa forma de encaixar a nossa vida: ainda tenho uns arranhões de quando tinha 10 anos tentar fazer festinhas na gata da avó que estava prenha; foram dezoito anos com um casal de pastores-alemães e agora temos o império felino!
Espero as aproximações e os bigodes que se seguem...
Abraço

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