Um conto inacabado...

Era noite em Ribeira Negra, a chuva caía miudinha pelo chão de terra que ladeava a casa. João na varanda fumava uma das suas cigarrilhas importadas. Estava em pé perto da coluna a avistar a noite gélida e húmida enquanto pensava na vida, na sua, no trabalho, nos amigos, dos seus sonhos e principalmente na sua relação com Joaquim. Estavam longe um do outro há alguns dias, Quim tinha ido viajar em trabalho e João refugiou-se no seu espaço de sossego e calma que era a quinta dos pais. Lá dentro da casa cada um cumpria a sua função, a Maria, de preparar a mesa para o jantar, a mãe e a srª Gertrudes de cozinhar algo de bom para o menino, o pai refastelado na poltrona via futebol, rugby, ou outro canal desportivo qualquer e por fim havia o Jarvas o gato tigrado e a Jarmela a sua companheira que se enroscavam em frente à lareira de fogo vivo que aquecia a casa. Um relâmpago forte iluminou a paisagem campestre que o João avistava, seguido de um ruidoso trovão fazem-no despertar, parar de pensar e simplesmente maravilhar-se com o poder da natureza. A mãe chama-o para jantar, ele entra e senta-se no seu lugar de criança e janta em silêncio.












Depois de jantar refugia-se no seu quarto com o pretexto que tem de trabalhar um pouco. Entra, abre o portátil, que o segue sempre como um cão fiel a seu dono, abre os ficheiros do trabalho, vai ao mail à procura de noticias do Quim e volta a fechá-lo desanimado. Trabalha um pouco para se abstrair de si. Passado algumas horas vai até a cozinha beber o copo de leite e não resiste a uma fatia do maravilhoso bolo da srª Gertrudes, ignorando a dieta rigorosa da cidade. Voltas para o quarto, despe-se, deita-se n sofá e pensa no Quim, nas saudades que tem dele, do cheiro do seu corpo, do seu calor, dos beijos molhados dos abraços apertados e quentes e do sexo animal e carinhoso que fazem sempre, antes de adormecerem cansado e com um sorriso do clímax atingido. E assim veio-se para cima da sua barriga peluda e dura, uma mancha branca de sémen que fica pendurada nos seus pelos pretos e de seguida afundam-se até chegar à pele. Limpa-se, deita-se na cama quente e pesada e adormece como uma criança exausta de um dia intenso.




F

Comentários

João Roque disse…
Muito bom o conto, bem escrito e com o bocadinho erótico muito apropriado: afinal também o desejo carnal é pertença da Natureza!!!
Abraço.
F disse…
Obrigado Pinguim. Um abraço
Anónimo disse…
Gostei e acao por me identificar com algumas partes como o comer e voltar para o quarto, ritual que faço tantas vezes que venho ao Algarve... mecanismo de defesa que me protege de algo que não sei o quê...
Abração grande
Miguel
Will disse…
Parabéns: gostei do conto, que tem um tanto da realidade de alguns de nós.

Aguardo novas investidas pelo mundo dos contos!

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