Ficar no mesmo sítio?

Não sei o que fazer. Está na altura de tomar decisões. De escolher um caminho ou outro. Penso sempre que é uma pena não poder fazer tudo, experimentar tudo… escolher tudo. A outra opção (será?) é deixar ficar tudo na mesma. Não me mexer. Assim evita-se a escolha. Mas é preciso escolher. É preciso crescer. Olhar para dentro. Perceber de onde se veio. Onde se está. Para onde se quer ir. Sem medos. Ou então com alguns, mas também com a força e a coragem para os vencer.

Eu não devia ter medos. Sei muito bem onde quero, onde vou chegar. E isso, pressões à parte, é bom. Mas muitas vezes não sei muito bem que caminho seguir para lá chegar. Sei, contudo, que não posso ir pelo caminho mais fácil.

O caminho mais fácil fica perto da saída do metro e da paragem do comboio. Ao lado do Aeroporto. Donde partem os cacilheiros. No sítio em que os táxis proliferam. Na rua principal. É um café onde todos estão. Entra gente apressada. Saem ainda com mais pressa sem dizerem um "olá".

Eu vou para o café que fica para lá da esquina. Do outro lado do jardim. Escondido depois das árvores velhas. Atrás do quiosque. Dentro do edifício velho. No último andar sem elevador. É para aí que eu vou. Os bolos são frescos. Há jornais do dia. Todos se sentam com calma, a ler. A Judite pergunta-me sempre como vou. As janelas são grandes. Entra luz. A vista é estrondosa.

Mas custa-me dizer adeus. Adeus ao hoje, ao ontem, ao anteontem e ao tresanteontem. E custa-me mais dizer adeus às pessoas que lá ficam. Resta-me esperar que as alegrias dos amanhãs compensem as decisões do hoje e as saudades do ontem.

Amém.

Comentários

Tiger! disse…
Texto profundo! Que as escolhas sejam bem ponderadas!
Abraços!
Graduated Fool disse…
O caminho mais fácil nem sempre é o mais acertado, sabemos disso. Outras vezes... é.
Gostei muito de ler este texto.

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