Return to Mano-rexia: scheduled to nevermore
Parte I - Deitado na cama
Era Abril. Estava deitado na cama, febril. Seco, azedo, com falta de alguém que já não me ama.
Tu chegaste vindo do outro quarto. Tu levantaste o manto da indiferença e olhaste-me com o que me pareceu uma ternura que pensei já não existir.
Disseste-me: vou lutar por ti.
Depois de tanto tempo não acreditei.
Depois de te ter pedido e de teres respondido: Não tenho que lutar por nada, ou há amor ou não há... Não acreditei.
Esperei que insistisses.
Tu insististe. Eu queria responder. Mas não respondi. Sentia as palavras a formarem-se na minha cabeça mas serrei os lábios com força.
Tu disseste: sei que gostas de mim. Não vou desistir. Eu tive vontade de chorar. Estive tão perto de te dizer: amo-te. Abraça-me. Desculpa-me por tudo.
Mas não disse. Não te quis encorajar. Quis, aquilo que sempre quis. Uma demonstração de que gostavas de mim, de que querias realmente lutar por mim.
Saiste do quarto a dizer: Não interessa que não respondas, quero ficar contigo. Vou lutar por ti. Não interessa que não respondas.
Se realmente gostasses de mim assim seria. Era a tua chance de mudar tudo.
Mas eu sentia que tinha sido a nossa última hipótese. Que o facto de não ter respondido tinha levado a que te perdesses de mim para sempre.
Nessa mesma noite ou no dia a seguir, ou talvez nessa semana caiste nos braços dele...
Acho que nem toda gente nasce para lutar.
Comentários
Não sei se é a história de alguém, se a tua própria história, mas é uma história triste...
Discordo na frase final, há é gente com mais ou menos força para lutar. O rapazinho deitado também não fez mais que estar deitado, secalhar não era para ficarem juntos com facilidade, digo eu!
abraço
Gosto de experimentar registos diferentes. Podem não ser fáceis de ler pela dureza mas acho que o
Comyxtura não pode ser happy-go-lucky todos os dias e deve, como a vida, ter registos de todos os tipos, bons, maus, alegres e tristes. Pessoalmente também prefiro os alegres.
Abraços e continua a visitar-nos!
É que é um bocado negro e pelo que ja sabes de mim eu sou pessoa de happy endings! LOL
Abraços para ti, para o F e para os bichaninhos!
Podia bem ser, ora!
Este mexe particularmente comigo... já passei por algo muito, muito parecido, muito mesmo. Infelizmente, por vezes, optamos pelo silêncio ou nem conseguimos abrir a boca, tal é o nó na garganta, o turbilhão na cabeça, a falta de escolha certa das palavras... e isso, esses meros segundos de silêncio, podem fazer toda a diferença, podem ferir-nos e deixar cicatrizes para sempre.
E saber que, por vezes, bastava uma frase, uma simples palavra, um simples gesto...
Dá-me um certo gozo escrever isto porque é refrescante e diferente de mim. E no entanto vem de dentro de mim. Interessante a contradição...
Abraços