Um parvo qualquer


Ele estava em coma. Tu estavas sozinho e eu encontrei-te. E percebi que eras uma boa pessoa.

Tu achavas que eu era especial. Eu avisei-te. Disse-te que não. Disse-te que era só um parvo qualquer. Disse-te que era "fraquinho na cama". Dei até bastante enfâse ao "fraquinho na cama". Acho que não acreditaste em mim. Mas sempre fui sincero. Disse-te que não sabia o que podia dar. Que calcorreava as ruas da amargura e que apesar de seres um doce lollypop loiro não sabia o que queria. Para onde ia. Mas que sabia que eras uma pessoa muito bonita e especial. E que te queria ao meu lado.

Talvez tenhas continuado a pensar que eu era especial. Mas eu sou mesmo um parvo qualquer.

Depois da visita ao hospital percebi que ele tinha saído do coma. Contra todas as possibilidades. Tinha dado ordem que desligassem todas as máquinas. Encostei-lhe a almofada maldosa à cabeça. Mas... surpresa! O coração dele continuou a bater.

E agora estás aqui. E sabes que ele saiu do coma. E queres ir embora. E eu compreendo. Mas seguro o teu braço. E digo-te para não ires. Eu sou um parvo qualquer mas não sou burro. Eu sou um parvo qualquer mas tu não és.

Tu és aquilo que tantas vezes ignoramos e que tanta faltas nos faz... Tu és aquilo que eu precisava há tanto tempo. Tu és aquilo cujo nome já não me lembrava há tanto tempo mas que agora recordo: UM VERDADEIRO AMIGO.
Tu ainda queres ir embora. Mas eu não vou largar o teu braço.

Tinhas razão: não sou um parvo qualquer. Sou o parvo do teu AMIGO. E não, não vou largar o teu braço.

Comentários

João Roque disse…
Não sei o que te dizer, apenas que te entendo e estou contigo; e com ele...
Mas preferia estas "convosco"!
Abraço.
Anónimo disse…
Não tenho palavras...
Graduated Fool disse…
Huuuummmmm...
paulo disse…
fiquei à toa... autobiográfico?
ai, rapaz que não distingo ficção de realidade. help!

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