Um lugar ao sol

Passeávamos pela Baixa. Tínhamos acabado de almoçar no Celeiro e andávamos sem destino. Eu e tu. Só tu e eu.

Sem destino. Tu disseste que querias ir para um sítio com sol para aproveitar a tarde agradável.
Eu concordei. Mas disse para irmos primeiro ali ao quiosque e tu anuíste. E quando passávamos pela estação do Rossio reparámos nas esplanadas cheias de luz. E tu: quando voltarmos sentamo-nos ali. Eu: sim.

No quiosque peguei numa revista sobre Lisboa e sobre as suas esplanadas ensolaradas e os seus quiosques de revistas lustrosas.

E voltámos.E na volta esquecemo-nos do que tínhamos dito. Esquecemo-nos da esplanada. Esquecemo-nos do que tínhamos dito. E perguntámo-nos para onde íamos apanhar Sol. E eu sugeri que fossemos para casa e nos sentássemos à varanda. E assim fizemos.
E esquecemo-nos da esplanada na estação do Rossio.

Hoje passei pela estação, sozinho, a caminho do trabalho, e quando os meus olhos encontraram a esplanada cheia de luz lembrei-me do que tínhamos dito naquele dia...

Quem sabe o que poderia ter acontecido se nos tivéssemos sentado ali, naquele dia, só eu e tu... a ler, a conversar. Tu a sorrir e eu a dizer disparates. A luz do sol e o teu sorriso, quentes.
Nunca saberemos o que poderia ter acontecido. Mas podemos imaginar...

Não te esqueças. Nunca te esqueças. Um dia vamos-nos sentar naquela esplanada na estação do Rossio banhados pelo Sol de Inverno. Banhados pelo tempo incerto. Lavados de luz.

Comentários

João Roque disse…
São sempre tão bonitos os momentos de amor aqui deixados; para muita gente,isso nada diz; para mim, diz tudo!
Mike disse…
Embora não saiba dar o real valor ao sentimento por detrás das palavras que escreves...é bonito de ler.
Abraço.
Frankenstaquio disse…
Pinguim e Mike também é muito agradável ler os vossos comentários!

Abraços

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