25 de Abril...

que tanta gente parece esquecer que aconteceu...

CANAL DE HISTÓRIA RECORDA A REVOLUÇÃO ESTUDANTIL DE COIMBRA NO DIA 25 DE ABRIL

  • Produção 100% nacional;
  • Inclui fotografias, relatos da época e declarações inéditas dos protagonistas;
  • Com a colaboração de várias entidades públicas e privadas, como a Associação Académica de Coimbra, o Museu Académico, a Câmara Municipal de Coimbra, a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, entre outros.

No dia em que se celebra o levantamento militar que pôs fim à ditadura salazarista, o Canal de História estreia o documentário de produção própria “Revolução Estudantil de Coimbra”, um trabalho que recorda a censura e as vozes silenciadas pelo regime, mas também a coragem e determinação dos estudantes que a ele resistiram, no dia 25 de Abril, às 16h00, com repetição dia 26, às 00h00 e às 08h00.

“Ex.ª Senhor Presidente da República, dá-me licença que use da palavra nesta cerimónia em nome dos estudantes da Universidade de Coimbra?” O pedido foi feito por Alberto Martins, então presidente da Associação Académica de Coimbra, ao Presidente Américo Tomaz. A palavra foi-lhe negada e a cerimónia terminou.

“Bem eu vou pedir a palavra, estes tipos vão-me espancar, podem-me prender, expulsam-me da sala, isto não vai ter o efeito que a malta queria que tivesse. Tinha também uma preocupação que era ao pedir a palavra evitar que o meu pedido fosse visto como um acto de provocação. Estávamos numa ditadura, não é?… Era tudo muito difícil….. A minha alma começou a subir e bem isto vai ter efeito, já estou aqui… portanto a minha força subiu e o meu problema agora era – quando é que peço a palavra?”, recorda Alberto Martins.

Estávamos a 17 de Abril de 1969 e o dia tornar-se-ia histórico para os estudantes universitários de Coimbra e para todos os portugueses. Aquela simples cerimónia de inauguração do Edifício das matemáticas da Universidade de Coimbra transformou-se num dos momentos mais importantes na resistência à ditadura.

A recusa das autoridades em ouvir os estudantes acendeu um rastilho de indignação que acabaria por mergulhar Coimbra num estado generalizado de desobediência cívica. As tradicionais receitas repressivas do Estado para controlar a revolta não só falharam, como ainda serviram para reforçar a unidade estudantil sob o domínio da esquerda, contra a direita fascista.

O que aconteceu aos estudantes de então? Como vêem o presente e adivinham o futuro? O Canal de História responde a estas e outras questões recorrendo a fotografias, relatos da época e a declarações dos protagonistas, sobre o episódio estudantil que definiu o rumo da História de Portugal.

Construído com recurso a vários documentos exclusivos, “Revolução Estudantil de Coimbra” é o resultado da colaboração de várias entidades públicas e privadas, como a Associação Académica de Coimbra, o Museu Académico, a Câmara Municipal de Coimbra, a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, entre outros.

Este trabalho é uma produção 100% nacional, que conta com testemunhos exclusivos de vários especialistas como José Miguel Júdice, antigo estudante da Universidade de Coimbra, Alberto Martins, Presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra em 1969, Manuela Cruzeiro, Antiga Estudante da Universidade de Coimbra, entre muitos outros.

INTERVENIENTES

Celso Cruzeiro: Antigo estudante da Universidade de Coimbra – Advogado

“Ele fecha em 6 de Maio a Universidade, nos princípios de Maio, e depois nós temos Maio inteiro para preparar o combate da greve a exames.”

Pedro Mendes de Abreu: Antigo estudante e Coimbra – Administrador do Turismo de Coimbra

“Depois de duas ou três movimentações estudantis, de contestação, a decretos que punham em causa alguns princípios básicos da liberdade da reunião, foi a Crise de sessenta e dois que se seguiu o encerramento da Associação Académica e à substituição da Direcção, legalmente eleita por uma comissão administrativa, que gerou uma greve aos exames, muito politizada, quer dizer não, não se estiveram… não se estavam com meias palavras, era mesmo abertamente dito que os estudantes não concordavam com a guerra colonial.”

Rui Namorado: Membro da Comissão Pró-Eleições – antigo estudante da Universidade de Coimbra – Professor da Faculdade de Economia de Coimbra

“Era como se houvesse um golpe de estado, aqui não era golpe de estado mas o poder político impôs uma comissão de gente que sendo matriculada não se pode dizer que fossem estudantes, oprque aceitaram ser verdadeiros capatazes do poder politico e ocuparam o lugar formal de Comissão Administrativa.”

Manuela Cruzeiro: Antiga Estudante da Universidade de Coimbra – Investigadora do Centro de Documentação 25 de Abril

“ A força que tínhamos era a de estarmos tão juntos. A sensação que tenho de sessenta e nove, são as multidões, são os grupos de pessoas, são o estarmos sempre juntos, são o andarmos sempre acompanhados…”

Osvaldo de Castro: Vice-Presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra 1969

“Nós não queríamos que se queimassem carros, nós não queríamos que se partissem os vidros dos bancos, nós queríamos desse ponto de vista ampliar o apoio também das populações e não virar as pessoas contra nós.”

José Miguel Júdice: Antigo Estudante da Universidade de Coimbra – Advogado

“Foi um período em que eu percebi que nós devemos lutar por aquilo em que acreditamos, que independentemente de estarmos, até se calhar, sozinhos, foi um período em que achei que a liberdade era essencial, que o direito de cada um ter a sua opinião era essencial, e isso, de facto, são coisas que ficam para a vida.”

João Botelho: Antigo Estudante da Universidade de Coimbra – Realizador

“Criou-se uma rede de malucos, de pessoas desenfreadas, que gostavam de não cumprir regras. E no inicio aquilo era muito soft, era muito bonito, eram uns balões e umas flores e acabou muito duro, acabou numa organização… teve uma organização chamada ALFATÁ… que se punham uns pregos nas rodas para os pneus da GNR ou que se punham bombinhas para espantar os cavalos da GNR numa altura de grande repressão… e acabámos todos presos. Houve uns que foram incorporados na tropa. Eu andei uns anos semi-clandestino e não cheguei a ir porque senão tinha fugido do país. Era altura da grande emigração, das pessoas que recusavam a guerra colonial, que recusavam os valores do fascismo português.”

Alberto Martins: Presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra 1969

“Quando acabou de falar o Decano da Universidade, o Decano e o Reitor da Universidade, ía falar o Rui Sanches, que se levantou e eu disse é agora aqui a altura, eu suo da Universidade, estes tipos são do Governo, portanto, eu estou entre a Universidade e o governo, é altura de pedir a palavra e levantar-me.”

FICHA TÉCNICA

Produtora – Luísa Carvalho

Realizador – José Carlos Santos

Guionista – Paulo Correia

Director de Fotografia – Hugo Folgado

Operador de Audio e Pós-Produção – Jorge Cabanelas Pereira

Jornalista – Telma Bicho

Retirado daqui.

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