Artamente!

Fui ao CCB ver a Exposição da Joana Vasconcelos. Esta artista parece-me ter a capacidade de mover as massas. E depois de ver os seus trabalhos tenho que concordar. Massas para ver o seu trabalho e para o construir, decerto. Até deve ter uma pequena fábrica onde estão trabalhadores, todos com fatinhos de lã a bordar ininterruptamente e a dobrar talheres de plástico.
Na fotografia aquilo parece até parece giro. Mas ao vivo é tudo medonho. Assustador. Kitch. Vulgarucho. Pode ser um reflexo da nossa cultura mas, parece-me que só de uma parte, muito reduzida. Ao olhar para as obras só pensava nas longas horas de trabalho das pessoas, nas senhoras muito baixinhas a bordar e a dobrar talheres e aquilo pareceu-me tudo sofrido. Como se fazer arte fosse passar muitas horas a trabalhar e a sofrer muito. Pois, o sofrimento faz parte da nossa cultura.
Claro que há ideias engraçadas. Adorei a interactividade da exposição. E é bom saber que há arte para o povo. Mas saí de lá com vontade de gritar: "Soltem os cães de loiça!"

E depois fui ver o Betardo. Porque ainda nunca tinha ido e porque o F me arrastou pelos cabelos enquanto eu esperneava e gritava. A sensação é mais ao menos a mesma que ir a casa de um amigo que acha que tem vinhos muitos bons e como tal decide servir-nos quatro ou cinco todos no mesmo copo. Por muito bom que seja aquilo cai-nos mal no estômago.

Felizmente ainda fui à exposição de Annemarie Schwarzenbach e percebi que a vida também pode ser descoberta e aventura. Não temos que passar o dia dentro de uma fábrica a dobrar colheres sem olhar para o lado com medo das chibatadas ou passar as noites a servir vinhos ostensivos aos amigos que nos vêm visitar. Podemos sair e partir à aventura. E só parar quando não houver uma pinga de combustível no depósito que atestámos.

Comentários

paulo disse…
também fizemos esse percurso há tempos e, igualmente, achámos tempo muito bem passado.

Mensagens populares deste blogue

Mãe, achas que sou gay?