... viste-me?


                                          
Chegado a casa do encontro com O, X pega numa folha de papel e escreve...

O,

Não sei como explicar isto. Não tenho o direito de sentir o que sinto. Mas no primeiro impacto



X amassa a folha furiosamente e atira-a para o cesto dos papéis. Recomeça...

O,
o que não tive coragem para te dizer foi que senti que nos iamos fazer muito bem. Que iamos ser um. Vi uma palavra: família. Vi que entre nós não havia barreiras. Senti uma coisa quente que percebi que era confiança. Uma confiança como não sabia existir. Uma certeza maior do que o mundo. Vi a tua bondade mesmo antes de saber que ela existia. Vi a pessoa doce que és. Um enorme coração. Um coração que sempre esperei encontrar mas nunca pensei que pudesse bater além da minha imaginação. Quando percebi que existias senti-me completo. Senti uma força com uma intensidade igual à minha. Soube que sabias amar com a mesma força que eu. Soube que eras forte e macio como eu sou forte e macio. Vi uma pessoa madura e confiante e uma criança que precisa de amor no mesmo corpo. Vi um espírito que reflete o meu. Senti, mesmo antes de saber quem eras, um enorme orgulho em seres. E admiração. Bolas!...como te admiro! Senti o meu peito a transbordar de amor. Senti que queria proteger-te com todas as minhas forças. Que queria resguardar a pessoa que és e resgatar a que não acreditas que podes ser. Mas eu sei que podes. Podes não estar preparado… mas serás tudo o que podes ser. Sei que ao teu lado vou crescer além do que imaginei. Vamos crescer. Juntos. Esperei toda a vida por ti, O. Sei disso com uma certeza inabalável. Tudo se conjugou para que nos encontrássemos agora apesar de nenhum de nós estar preparado para isso. Sei que tenho a capacidade de te ler, de te compreender além dos limites da compreensão. Sei que tenho o poder de te fazer feliz. 


O que escrevi assusta-me. Muito mais te assustará a ti…


E quando me passaste aquela música vi-me abraçado a ti enquanto a ouvíamos num domingo em que o sol se arrastou pelo soalho de madeira até aos nossos pés nús e vi felicidade e amor.
Posso não ter o direito de ver tudo isto mas também sinto que não tenho o direito de to esconder. Tinhas de o saber. Vou compreender se não me quiseres voltar a ver. E se não nos voltarmos a ver quero que saibas que ainda assim o meu coração está cheio de calor por saber que existes. Agora... Agora já sabes o que eu sei. Faz o que entenderes. Eu vou compreender e aceitar.

xo-xo,
X.


Lágrimas gordas caem sobre o papel da carta que se humedece. Algumas letras esborratam-se e perdem a forma.
X dobra a carta com pesar e com cuidado e guarda-a na gaveta em forma de coração enquanto as lágrimas gordas continuam a cair.
Naquela noite escreve uma mensagem…

O,
Desculpa a cena do café. 
Sou mesmo um nutjob!
Até um dias destes...
Adeus, 
X

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Concluded?

Comentários

João Roque disse…
O que vai por aí???
Estou confuso...
Frankenstaquio disse…
Compreendo que estejas Pinguim. Mas eu não estou. Abraço

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