Diário Estelar 15:43:09:04:20:11
Cheguei. O meu olho desliza pelo corpo e tento perceber onde estou. Que local será este?
Vejo à minha volta uma circunferêncai metálica, enorme. Cerca de um terço dela é atravessada por um entrançado castanho muito alto. O cheiro é… intenso… sulfatoso… incomodativo. Este planeta é mal-cheiroso. Como primeira impressão a invasão não me parece recomendável. A única forma de sair desta circunferência é trepar o
entrançado castanho e faço-o. Demoro muito tempo a subir mas consigo sair da circunferência. Corro agora pelo enorme entrançado que parece não ter fim.
Ando um bom bocado e deparo-me com umas vilosidades que se amontoam. De repente acontece uma enorme oscilação. Como não esperava caio do entrançado para cima das vilosidades. Será a morte certa?
Acordo num sulco, desperto pelo cheiro a sulfato. Depois de horas a caminhar deparo-me com uma longa linha espiralada. Atinjo-a com o meu taser mas ela, à parte de uma ligeira oscilação parece nem sentir. Parece ser uma criatura persistente. Ando mais um pouco. Reparo que o corpo da criatura se afunda no solo e surge novamente. Afunda-se e surge. Surge e afunda-se até ao infinito. A linha espiralada move a sua longa cabeça na minha direcção e fujo pelo campo castanho, vendo-me obrigado a atravessar um campo de vilosidades. Sedutoras, macias.
Concentro-me na fuga.
Corro até chegar a um muro. No desespero de fugir das vilosidades atiro-me contra ele. Sou imediatamente projectado no sentido oposto e sigo num voo sem fim. Cá em cima a substância gasosa é mais respirável e tenho uma nova e mais aterradora visão deste planeta.
A linha espiralada parece mais pequena. O entrançado que trepei é afinal uma longa entidade que se afunda e surge sucessivamente em circunferências metálicas na superfície do planeta. Estas circubferências são perfeitas e mostram-me que neste planeta há entidades com alguma capacidade arquitectonica.Durante o meu voo deparo-me com um garnde fosso no planeta. Uma aterradora cratera. E o pior… estou a cair para dentro dela. O tradutor universal capta umas linhas enormes e diz-me o que significam: IMAC, vera pelle, made in Italy.
Caio na cratera. O solo é macio mas estou a perder os sentidos por causa do odor sulfatoso. O tradutor diz-me o nome científico deste odor que me mata: sulfato de péuga. Fim de relatório. Desmaio.
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