A propósito de irmãs que se "passam dos carretos"...

A sala onde se desenrola a acção é inegavelmente portuguesa. As criadas são inspiradas em personagens bem reais, as irmãs: Christine Papin e Léa Papin, duas domésticas ao serviço de uma rica família parisiense.
À primeira vista poderiam parecer duas simples raparigas mas a razão por que se tornaram conhecidas foi, no entanto, bastante sinistra. Um dia, durante a ausência do patrão e sem motivo aparente assassinaram brutalmente a mãe e a filha da família que as empregava.
O psicanalista francês Jacques Lacan estudou o caso e explicou que o incidente poderá ter sido despoletado pelo, aparentemente inofensivo, corte eléctrico que terá sobressaltado as irmãs. Ter-se-há tratado de um caso de duplo delírio: uma espécie de paranóia que acontece em relações familiares muito próximas na qual a percepção da realidade fora da relação é pouco relevante quando comparada com o que se passa dentro da relação.
Jacques Lacan analisou a natureza simbólica do crime cometido pelas criadas. As irmãs expressaram metáforas de ódio envolvendo-se fisicamente de forma selvagem. A sua fixação na relação entre a mãe e a filha por comparação com a sua própria relação conduziu-as a um delírio de ciúme e ódio levando-as a mutilar os corpos, rasgando literalmente os olhos das vítimas e espalhando o sangue de uma pelo corpo da outra.
A história chegou a Paula Rego na forma de uma peça de teatro, “As Criadas” escrita por Jean Genet em 1947. A pintora focou-se, tal como Jacques Lacan, na proximidade (entre si e entre as patroas) pouco natural de Christine e Léa Papin.
Comentários
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Abraço
nem te digo nada.
Pinguim, já dizia a outra: não há coincidências!