My story #06: Os animais
Apesar do incidente do cão dos meus avós não deixei de gostar de animais. Eram o melhor da vida do campo. Lembro-me de uma pata branca que a minha avó me ofereceu e que eu adorava. Adorava brincar com coelhos mas sempre achei as galinhas animais muito idiotas.
Eu queria adoptar todos os animais que conseguisse. Acho que herdei isto da minha avó Josefa que criou: gansos, patos, galinhas anãs, pombos. Eu acompanhava-a sempre quando ela os ia alimentar. A minha avó chegou a ter um rebalho de ovelhas que um senhor levava a pastar. Eram umas vinte e estavam dentro de uma cerca enorme e tinham uma casa de madeira onde dormiam. Um dia vendeu-as todas. Depois teve um grande bezerro que também vendeu. E havia sempre uma porca a ter ninhadas de bacorinhos.
O meu avô andava sempre pelas localidades vizinhas a dsitribuir rações de animais ou botijas de gás ou adubos. Algumas vezes eu ia com ele e muitas pessoas me conheciam por causa disso. Outra vezes ficava na loja com a minha avó e a minha tia.
Os meus pais tinham uma outra casa, a que eu chamava “casa velha” por ser mais velha do que aquela onde eu morava. Lá também tinham alguns animais. Havia um cão amarelado medroso e uma gata preta selvagem que um dia desapareceu. Tinham alguns coelhos e lembro-me de um casal de porquinhos da Índia que tiveram uma ninhada de porquinhos. Mas não era fã de todos os animais da casa velha. Uma das portas que dava para o quintal tinha uma divisão que permitia abrir só uma das partes, a de cima ou a de baixo. Sempre que eu punha lá a minha mãozita para a abrir vinha o galo e dava-me bicadas nos dedos. Eu tinha medo dele.
Um dia chegou à casa da Avó Josefa a Zuca, uma linda gata amarela que a minha tia mimava. Quando ela teve uma ninhada a minha mãe deixou que ficasse com um gatinho que a minha tia baptizou de Pirilau. A verdade é que o Pirilau e eu nos tornámos inseparáveis. E, contrariamente ao que acontece com os gatos, ele seguia-me para todo o lado.
A minha avó Josefa teve outra gata toda preta a que a minha tia chamou Pretty. A minha mãe deixou-me ficar com outro gatinho (tinha que ser macho como o Pirilau para não haver mais gatinhos). Chamámos Tareco ao gatinho preto. Lembro-me que o Pirilau e o Tareco se tornaram amigos. Tão amigos que às vezes se punham um cima um do outro como faziam os animais que queriam ter bebés. Acho que a minha mãe não gostava muito daquilo e os enxotava. Eu ficava feliz por eles se darem tão bem.
Na casa dos meus avós maternos também havia animais. Um gato malhado e uma burra e galinhas. Uma vez pendurei-me no pescoço da burra quando ela estava a mastigar erva e ela por engano mordeu-me a barriga. Eu assustei-me e a minha barriga ficou cinzenta. A minha mãe ficou preocupada e disse-me para não voltar a fazer aquilo. No dia seguinte voltei a pendurar-me no pescoço dela. O que mais gostava na casa dos meus avós era da figueira que trepava muitas vezes. Achava-a maravilhosa porque tinha o tronco inclinado, mesmo ao jeito de ser trepado.
Comentários
:D
Abraço
as tuas descrições despertaram-me um imaginário delicioso.
Pinguim, é verdade. E às vezes há pequenas coisas que nunca nos abandonam.
Pirii, a casa velha ainda existe. Faço tensões de, daqui a uns anos, a recuperar e de a ter como segunda morada e fazer grandes churrascos com montes de amigos nos fins de semana. Depois convido-vos todos. Abraços
deixa já meter isto na minha agenda para garantir que não marco nada para aquela altura.
adoro churrascos e afins. adoro.