Encontro escaldante!
Rapaz giro meets X. Trocam dois dedos de conversa. X está farto de uma semana de eterna solidão.
X e rapaz giro (muito) vão até casa do X. Rapaz giro diz que a casa de X é muito agradável e adora o confortável sofá. X liga a televisão e olha atentamente para o programa Câmara Clara que gravou no domingo e ainda não teve oportunidade de ver. Rapaz giro aproxima-se pela esquerda. X admira as pinturas que vão aparecendo na televisão e diz que adora o Van Gogh por causa das cores. Rapaz giro põe o braço à volta de X. X sente-se ligeiramente excitado e pensa que se lixe, o gajo é giro e eu estou sozinho. Rapaz giro beija o pescoço de X. X fica espantado com a beleza simples das frases de Rui-Mário Gonçalves.
Rapaz giro abraça X. X não é de ferro e sente-se excitado fisicamente. Mentalmente pensa que aquilo é ridículo. Afectivamente aquilo parece-lhe vazio e fútil. X fica parcialmente triste porque (quase) qualquer outro homem na sua situação não ia pensar duas vezes. X questiona-se se será normal. Rapaz giro começa-se a enrodilhar à volta de X. X pensa que coisa mais estúpida. Isto é puramente mecânico e não faz sentido nenhum. Percebe que nunca vai conseguir ter relações com ninguém com quem não tenha sentimentos profundos. Rapaz giro faz nova investida no pescoço de X. X sente cócegas e afasta-o. X pergunta ao rapaz giro se se nota muito que nunca fez aquilo. Rapaz giro diz que X é uma pessoa muito especial. X já ouviu esta frase outras vezes e apesar de ser bonita nunca percebeu bem porque é que é especial. Rapaz giro diz que X merece encontrar uma pessoa especial. X percebe que aquele rapaz não se considera especial. X fica a pensar que às vezes não lhe dá jeito nenhum ser especial e que lhe dava muito jeito ser normal (porque o rapaz é giro e tem um corpo agradável ao tato). Paula Moura Pinheiro despede-se e diz até para a semana. Depois de conversarem um pouco o rapaz giro sai. X sabe que não o vai voltar a ver. X senta-se no sofá confortável e começa a escrever um post.
X apoia a mão na boca e sente o agradável perfume do rapaz giro e pensa porque é que há tanta gente partida por dentro.
X tem uma epifânia e pensa que talvez tenha percebido porque é que ouve tantas vezes que é especial. Porque tem a sorte de ouvir o seu coração e agir de acordo com os seus sentimentos. X pensa que teve muita sorte por ter crescido num ambiente feliz onde podia dizer o que pensava e ser igual a si. X pensa que a solidão é uma coisa terrível e sente-se feliz por nunca ter sido dominado por ela.
Comentários
Abraço-te
uma Câmara Clara muito interessante e uma exposição a não perder (a das Naturezas-mortas na Gulbenkian)
Miguel,
inveja o texto. Rapazes giros há por ai muitos.
Abraços
Mas certamente melhores dias virão!
Só uma pessoa muito especial escrevia isto e teria tido esta vivência.
E claro que estás só...eu sei que estás só.
abraço!